O dia era 7 de abril de 2004. O jogo, o mais decisivo para o clube nos últimos anos. Era a chance de uma geração marcar historia. Passar para a semifinal do maior torneio de clubes do planeta era o sonho de uma cidade inteira. Ainda por cima eliminar o atual campeão, time de estrelas, ia ser o roteiro perfeito. Mas o primeiro jogo, realizado no dia 23 de março do mesmo ano, na casa do adversário reservou toques de crueldade aquela bonita historia que se desenhava. Em uma atuação impiedosa de Kaka, o Milan passeou em campo. Com um placar de 4 x 1, levou para o segundo jogo uma vantagem praticamente impossível de ser revertida. Para a imprensa em geral, o primeiro semifinalista já estava decidido.

Mas como falar para essa torcida abandonar essa partida. Deixar o sonho de lado. Parar de acreditar que o impossível às vezes acontece e que no futebol a palavra desistir não deve existir. Independente do que se falava ou se previa pelo mundo inteiro, aquela torcida apaixonada foi ao seu estádio no dia 7 de abril. Não seria por falta de apoio que o milagre não aconteceria. Mas e para o elenco? Existiria um jeito de apagar o primeiro jogo e enfrentar essa tarefa dificílima? Como ganhar de um time que no elenco trazia Dida, Cafu, Nesta, Maldini, Pirlo,Seedorf, Kaka e Shevchenko?

Só teria um jeito: tinha que ser na RAÇA. E ela não faltou aquele dia. Com o apoio da torcida o time renasce em campo. Um primeiro tempo primoroso. Uma defesa postada para evitar outro desastre. Um ataque mortal. 3 x 0 sem chances. O recado estava dado. Estamos vivos. O Milan atordoado, não conseguia entender o que acontecia. Toda a vantagem havia sumido. Sua torcida não acreditava no que via. Toda a festa feita, toda certeza da vaga havia ido embora.

Do outro lado, a torcida em êxtase não parava. Havia mais um tempo e era preciso continuar com o ímpeto, com a raça do primeiro tempo. E ela novamente se fez presente. Indo em cada bola como se fosse a ultima, o time segura o todo poderoso Milan, fazendo ainda o quarto gol para o estádio vir abaixo. 4 x 0. Vaga garantida. Orgulho renovado. Festa na cidade. E foi assim que o LA CORUNÃ escreveu uma das maiores viradas da historia da Champhions League. Conseguiu o que se acreditava impossível. Espantou qualquer fantasma do primeiro jogo e se entregou totalmente a fazer o impossível acontecer.

Acreditar que uma historia dessas se repita é o nosso papel. Incendiar o Scarpelli. Mostrar aos jogadores que não será por falta de apoio que não conseguiremos reverter tal placar. Apoiar independente de quem esteja em campo. Ao nosso time cabe entender esse recado, entender que podem escrever o nome na historia do clube com uma virada épica. Resgatar a raça perdida no primeiro jogo. Afinal, do outro lado não se tem um Milan e sim um time de serie B, com elenco modesto, mas  que tenta compensar na raça e assim conseguiu se sobressair no primeiro jogo. Igualando a RAÇA, é a técnica que vai definir o vencedor. E temos isso. E vamos ser o Campeão Catarinense de 2012. Avante Figueiraaaaaaaaaaaaaa!

 

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